O desafio da inovação: pare de reagir e comece a agir para não ficar para trás
20 de setembro de 2017
Coaching&Carreiras

Sempre que falamos sobre inovação vale lembrar algo importante: ninguém inova sozinho. E é por isso que falar sobre inovação envolve falar também sobre redes. São as redes que condicionam as formas como inovações vão surgir, isso porque o conhecimento se tornou mais fragmentado, sendo preciso agrupar pessoas de diferentes origens, campos e frameworks cognitivos para tratar de problemas que muitas vezes são complexos.

Inovar não significa, necessariamente, reinventar a roda, “disruptar”. Há diferentes tipos de inovações e ela é o motor do desenvolvimento, se nunca tivéssemos inovado, ainda estaríamos na idade da pedra.

A inovação acontece quando existe uma combinação de conhecimento e criatividade em um ambiente favorável. Envolve duas lógicas diferentes: uma é sobre explorar o conhecimento existente e outra é sobre usar o conhecimento existente. A Toyota, por exemplo, vivia um paradoxo, times de trabalho tinham que desenvolver um método novo para fazer um banco de carro com mais rapidez, mas para que isso fosse possível, era preciso gastar tempo para ganhar tempo. Ou seja, criar ciclos entre exploração, descoberta e desenvolvimento. Isso nos mostra que para inovar nem sempre podemos ir com sede ao pote, pode ser preciso dar um passo atrás antes de querer fazer sentido.

Outro mito quando falamos sobre inovação está em torno da geração das ideias. Boas ideias não surgem apenas de momentos eureka, aqueles que temos enquanto tomamos banho ou estamos prestes a dormir. Elas podem levar tempo, surgir a partir de uma construção muito mais complexa, da conexão com outras metades de ideias que andaram por aí e que de repente se encontram e formam um sentido maior. E por isso é tão importante criar momentos e ambientes favoráveis para essas discussões. Levar pessoas para uma sala e deixá-las falar durante um brainstorming ou usar o design thinking para cavucar a fundo um problema do ponto de vista de um usuário são caminhos interessantes.

Tudo o que você aprende na vida fica registrado e, no momento certo, quando se encontrar com outros conceitos, vai gerar uma boa ideia que pode levá-lo a uma inovação. Entretanto, é importante entender que apenas obter informação daqui e dali não o ajudará em nada, isso porque informação é diferente de conhecimento. Informação se trata de pedaços de dados não estruturados, enquanto o conhecimento é a interpretação que fazemos desses dados. E mais, o que fazemos deles. De nada vai adiantar se entupir de informação e não passar disso.

Para ser uma empresa ou um profissional inovador é necessário entender que não basta querer, do dia para a noite, inovar. Trata-se de um processo muito maior. Pessoas não vão colaborar, ser criativas ou transformar nada se não se sentirem incentivadas a isso de verdade. É por isso que para inovar o ambiente necessário precisa ser criado. Isso inclui deixar de olhar apenas para o resultado financeiro e ter um propósito maior, algo pelo qual todas as pessoas ao redor se apaixonem e se sintam, verdadeiramente, contribuindo. A valorização excessiva à hierarquia também é um problema. Se na organização o título no crachá é o que mais importa e se no final do dia a tentativa de inovar é barrada nas hierarquias e nos processos burocráticos, nada vai acontecer. Volto aqui a falar sobre as redes, afinal, ninguém inova sozinho. O excesso de controle e a falta de fé e autonomia nos colaboradores vai impedir você e sua empresa de inovar e nenhum grande ideia vai nascer ou ser implementada com sucesso se o pensamento não mudar.

A inovação afeta a todos. Ou deveria afetar. Não existe mais essa de “eu trabalho com tal coisa, então não preciso inovar”. O tempo todo precisamos buscar a inovação para fazer algo de uma forma melhor, ainda mais no mundo atual em que vivemos, em que tudo muda rápido demais, novas profissões e tecnologias surgem, quase que em um piscar de olhos.

Nas redes sociais (e esse conceito não está limitado ao cenário das mídias sociais como ficou popularmente conhecido) os fluxos de conhecimento são repassados, eles transitam entre a rede. Saber onde se posicionar para incorporar esses fluxos é importante e essencial para obter boas informações, isso porque em nossas vidas pertencemos à diferentes camadas, ou seja, somos agregados a grupos sociais que nos restringem e nos possibilitam, de diversas maneiras.

Trocamos informações diferentes com pessoas diferentes e nessas relações o escopo de informação de cada um será diferente. Isto é, quem pratica um esporte contigo pode ser de um grupo social diferente de quem vai à igreja contigo, mas nada impede que este pertença a estes dois grupos também. A informação trocada nesses contextos é bem variável. Cabe a você ficar de olho em quais são os pontos nos quais passa o maior número de informação relevante para se manter atualizado. Esses pontos, inclusive, podem ser chamados de influenciadores. E influenciadores não são nada mais que atores-chave, que concentram informações e conseguem impactar muita gente com elas, isso porque eles estão posicionados em nós estratégicos que passam por diferentes camadas. Laços fortes e laços fracos, como na teoria de redes sociais proposta por Mark Granovetter, fazem com que elas cheguem mais ou menos adiante.

Algumas empresas trabalham com inovação fechada, enquanto outras escolhem trabalhar de forma aberta. Na inovação aberta a empresa deixa de enxergar a fronteira organizacional como fonte de conhecimento e escolhe incorporar fontes externas. Recentemente a Coca Cola anunciou que pagará 1 milhão de dólares para quem encontrar um substituto ao açúcar. E ele não pode à base de stevia ou de Lo Han Guo (também conhecida como siraitia ou fruta-dos-monges) ou de qualquer planta de espécies protegidas ou proibidas por órgãos reguladores de qualquer país. Esse é um exemplo de inovação aberta, pois buscar a solução dentro do seu próprio time certamente custaria muito mais do que pagar para alguém externo.

Alguns modelos de negócios nascem parecendo extremamente vantajosos, como os cartuchos de impressoras da HP ou as cápsulas de café da Nespresso. Mas algumas vezes as descobrem-se formas de hackear o processo e, então, surgem injetores de tinta para os cartuchos que levam a alternativas que não passam mais pela fabricante ou à cápsulas genéricas que se encaixam na maquininha de café, fazendo com que o consumidor deixe de comprar da marca original. Nestes casos, apenas uma revisão do modelo de negócios poderá salvá-los da queda drástica do número de vendas.

Empresas que adotam a inovação aberta vão muito além de buscar soluções fora de suas trincheiras. Elas também se permitem mais. A Lego, por exemplo, ao lançar os robôs Mindstorms, logo soube que seu sistema havia sido hackeado e que crianças eram capazes de guiá-lo para fazer coisas além do que havia sido programado. Em vez de esbravejar e proibir, abriu o código fonte, que está disponível no Github, dessa forma, muitas pessoas podem trabalhar em cima dele e criar milhares de outras possibilidades.

Nós buscamos inovar porque queremos criar valor e a inovação aberta também pode ser usada para criar valor. Não necessariamente o valor será capturado de volta nesse processo, o retorno pode acontecer de outras formas, por exemplo, gerando mais interesse pela novidade (como a possibilidade de ter um robô Lego que pode ter seu código melhorado), resultando em mais vendas. E por isso é tão importante entender a diferença entre criar e capturar valor, são coisas realmente diferentes.

Ao falar sobre inovação, Schumpeter traz o conceito de destruição criadora. Isso porque, a princípio, existe um processo de destruição antes que algo inovador se estabeleça. A inovação provoca disruptura, leva à dilemas e conflitos. Ou seja, apesar de a inovação ser o motor do desenvolvimento, ela também apresenta seu lado negativo, pois sempre existirá um modelo que vai se tornar dominante, enquanto outro decairá. Entretanto, rebelar-se contra ela não é a solução para detê-la e entender isso ajudará você e as pessoas ao seu redor a lidar melhor com a necessidade de se transformar continuamente para não ficar para trás.

Fonte: Linkedin – Flavia Gamonar

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