Quem é o ex-mascate que pode assumir o controle da Estácio

6 de julho de 2016
Coaching&Carreiras

Chaim Zaher: empresário admite que estuda fazer oferta pelo controle da Estácio

Chaim Zaher: empresário admite que estuda fazer oferta pelo controle da Estácio

Conheça Chaim Zaher, principal acionista individual da Estácio, que fez fortuna no mundo da educação e que pode dar uma de suas tacadas empresariais mais ousadas. O grupo educacional Estácio está em uma briga pelo seu controle. De um lado, Kroton e Ser disputam a companhia. Mas quem pode ficar com ela é o empresário Chaim Zaher, seu maior acionista individual e atual CEO interino da empresa.

Zaher informou nesta segunda-feira 27 que “está considerando a possibilidade, embora ainda não tenha certeza de sua efetivação” de uma oferta pública para aquisição do controle da Estácio.

Atualmente, a família Zaher conta com aproximadamente 14,13% do capital da Estácio e trabalha para cancelar a cláusula de “poison pill”. Segundo ela, qualquer acionista que atingir 20% de participação na Estácio é obrigado a estender a oferta aos minoritários. Segundo o comunicado enviado ao mercado, a meta da família Zaher é comprar 50% mais uma ação para assumir o controle do grupo educacional, em um negócio que pode se aproximar de R$ 2 bilhões. Mas quem é o empresário Chaim Zaher? Com seis anos, o então menino Chaim Zaher deixou o Líbano e veio ao Brasil com sua família. Ainda muito jovem ajudou o pai, Zein, no trabalho de mascate em Araçatuba, interior de São Paulo.

Aos 18 anos, quando sua família mudou-se para Pereira Barreto, Zaher voltou para Araçatuba e arrumou um emprego num cursinho local. Foi porteiro, bedel de alunos e vendedor de matrículas. Em pouco tempo, já entendia como funcionava a gestão de uma escola.

Nos anos 1970, ele enxergou uma ameaça às escolas do interior: a chegada dos cursinhos da capital, como o Anglo e Objetivo. Na época, ele sugeriu ao seu patrão que buscasse um parceiro. Resultado: foi demitido, “Em vez de cair em depressão, percebi que havia conquistado minha liberdade”, disse ele. Seus primeiros parceiros foram os professores do Colégio Equipe de São Paulo, que também estavam criando um cursinho. Mas Zaher já enxergava o Objetivo, do empresário João Carlos Di Genio, como o grupo mais profissional do setor. E, em 1976, ele conseguiu agendar uma reunião com o professor Jorge Bryhi, braço direito de Di Genio, não sem antes realizar uma pequena peripécia.

Depois de esperar horas por uma audiência, ele decidiu se trancar no banheiro de uma escola, onde dormiu até o dia seguinte. Quando Bryhi voltou ao Objetivo, Zaher já estava lá esperando por ele. Na mesma hora, tornou-se franqueado da rede. A atitude foi tão inusitada que o próprio Di Genio quis conhecê-lo.

Quando Zaher soube que o dono do Objetivo era também da região de Araçatuba, os dois se tornaram amigos – Di Genio foi até seu padrinho de casamento. No Natal de 1984, após ter trabalhado quatro anos como franqueado do Objetivo, Zaher recebeu uma ligação do amigo Di Genio, convidando-o para ser seu sócio em Ribeirão Preto.

Assim que desligou o telefone, Zaher começou a fazer as malas para se mudar para a Califórnia brasileira, como era conhecida a cidade naquele tempo. À época, o grande concorrente do grupo de Di Genio era o COC, um cursinho criado por professores de medicina que ia de vento em popa.

Em 1986, Zaher, em uma jogada de mestre, comprou o COC e se afastou de seu mentor. A partir do COC, ele criou um dos maiores grupos educacionais de ensino médio do Brasil, abrindo o capital da empresa em 2007, quando captou R$ 400 milhões para a SEB (Sistema Educacional Brasileiro). A partir daí, a rede investiu em aquisições e ganhou musculatura, despertando o interesse de grandes grupos internacionais. Por 888 milhões de reais, Zaher vendeu o negócio mais rentável do grupo SEB (Sistema Educacional Brasileiro) para os ingleses da Pearson, donos do Financial Times e da The Economist, em 2010.

Sem os sistemas de ensino das marcas COC, Dom Bosco, Pueri Domus e Name, além da divisão de material didático e da editora, o empresário decidiu recomeçar o negócio do SEB com as escolas físicas, investindo boa parte da bolada recebida na transação. Em dois anos, o negócio cresceu e passou a entregar um faturamento de 500 milhões de reais, ultrapassando o tamanho que tinha quando ainda contava com os ativos vendidos à Pearson.

Em 2013, Zaher vendeu a UniSeb para a Estácio por mais de R$ 600 milhões. Recebeu parte em dinheiro e outra parte em ações do grupo educacional, ganhando um assento no conselho de administração. Quando a Kroton e a Ser se mobilizaram para fazer uma oferta pela Estácio, Zaher fez parte do grupo que fez frente ao negócio.

Não significa que Zaher não esteja aberto à venda para a Kroton. Mas segundo pessoas que o conhecem, como hábil negociador que é, ele está valorizando seu passe.

Por Ralphe Manzoni Jr, Istoédinheiro

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