5 maneiras de reagir ao preconceito de idade em uma entrevista de emprego
4 de setembro de 2019
Coaching&Carreiras

À medida em que a população mundial envelhece, vemos um número crescente de trabalhadores de mais idade ainda atuantes na força de trabalho. Mesmo assim, a discriminação de idade é frequente nos dias de hoje. De acordo com uma recente pesquisa da AARP, praticamente dois em cada três empregados com 45 anos de idade ou mais afirmam ter sofrido algum tipo de discriminação por idade.

A tendência por trabalhadores mais jovens não é só percebida no setor de tecnologia – sete das 18 maiores empresas do Vale do Silício têm funcionários com idade média de 30 anos ou menos, mas também em outros setores. Um estudo conduzido pelo San Francisco Reserve Bank mostra que o índice de resposta sobre empregos foi mais baixo para os candidatos mais velhos, sendo que para a mulheres esse índice é ainda mais baixo do que para os homens.

Apesar do estereótipo de que funcionários mais velhos têm menos energia e são menos produtivos, os dados mostram outra coisa. Segundo uma pesquisa do Stanford Center on Longevity (Centro de Estudos sobre Longevidade da Stanford University), trabalhadores mais velhos são mais saudáveis, têm mais ética no trabalho, são leais aos seus empregadores, e tendem a estar mais satisfeitos com seu trabalho do que seus colegas mais jovens. Além disso, um estudo da London Business School mostrou que mais pessoas abaixo de 45 anos estavam exaustas (43%) do que pessoas acima de 45 (35%), sendo que o grupo menos exausto era o de pessoas acima de 60.

Há alguns empregos onde cabelos brancos (e a experiência que vem com eles) são vistos como sendo de grande valor, como por exemplo os cargos de diretoria e funções mais seniores. Mesmo assim, um candidato mais velho pode estar concorrendo com uma pessoa — ou ser entrevistado por alguém — que é 10 ou 20 anos mais jovem.

Sanvij tinha quase 60 anos quando fez uma entrevista como candidato interno para um cargo de diretor executivo em uma organização sem fins lucrativos. Ele sabia que o conselho estava buscando um líder capaz de realizar mudanças, e foi para a entrevista com várias novas ideias para a organização. Mesmo assim, foi informado pelo membro do conselho que o entrevistou, que estavam procurando “mentes mais jovens”.

Anita foi demitida aos 55 anos depois de ter trabalhado em uma grande empresa de tecnologia por mais de 30. Desempregada por nove meses, estava começando a ficar desestimulada depois de ter vivido vários episódios de preconceitos de idade. Um recrutador foi muito direto e disse que a empresa estava buscando alguém mas jovem, e um recrutador de uma startup que mais parecia uma fraternidade, perguntou se ela tinha problemas com festas até altas horas e bebidas. Ela finalmente conseguiu um emprego em uma grande empresa de softwares, onde foi contratada por um chefe 20 anos mais jovem.

Lauren tinha 49 quando fez uma entrevista e conseguiu um emprego em uma empresa muito conhecida de mídia social, onde a média de idade é abaixo de 30 e seu chefe, quem a contratou, era quase 10 anos mais jovem que ela. Como foi entrevistada por muitas empresas importantes na área de tecnologia, ela sabia que o preconceito de idade poderia estar presente, mas disse que não sentiu isso. Entretanto, ela sabia que não deveria compartilhar informações que permitissem aos outros “fazer contas” e determinar sua idade. Por exemplo, ao mesmo tempo que estava aberta a conversar sobre o fato de ser mãe, ao falar sobre seus filhos, intencionalmente não mencionava que eles estavam na faculdade.

Se você está preocupado com o preconceito de idade, utilize estratégias que ajudam a tornar a idade algo sem importância.

Foque em energia e não na experiência. Mostre seu entusiasmo com relação a oportunidade e o trabalho que faz. Anita atribui o sucesso obtido na busca por uma recolocação à sua paixão, fato que seu chefe até hoje menciona. Em vez de falar sobre quanto anos de experiência você tem, ou quantas vezes você já fez um determinado tipo de projeto, mostre seu entusiasmo pelo trabalho dizendo algo como, “Esse é meu ponto forte. Esse é o tipo de trabalho que eu amo fazer”. Dizer quantos anos de experiência (independentemente do quanto isso é válido ou significativo) pode ter consequências indesejadas como afastar ou intimidar seu entrevistador, ou parecer ser um “sabichão”.

Aja como um consultor. Realize suas entrevistas como conversas de consultoria, demonstrando curiosidade e vontade de aprender. Faça boas perguntas abertas, combinadas com uma escuta atenciosa para entender melhor o contexto da empresa e seus desafios específicos, de forma a identificar onde e como você pode gerar o máximo de valor. Essa abordagem não será apenas mais convincente, mas irá também ajudá-lo a se mostrar mais confiante, já que está agindo como um colega de seu entrevistador. A mudança de mentalidade é parte de como você pode mudar a poderosa dinâmica da percepção entre querer ou precisar do emprego, já que você tem a solução ou o know-howdaquilo que a empresa precisa.

Demonstre humildade e uma abordagem livre de hierarquias. Laureen atribui seu sucesso nas entrevistas por ter demonstrado humildade genuína e ter feito uso de abordagem de igualdade ao colaborar com os outros. Ela demonstrou isso ao fazer perguntas como, “Que parte do brilhante trabalho que seu time já fez você quer aproveitar, e onde você acredita ser a hora de tentar uma nova abordagem?’’. Ela fez questão de falar sobre “apoiar equipes” versus “administrar equipes” e fez questão de dar crédito a todas as pessoas envolvidas no trabalho. Já que colaboração é a regra para os Millenials, qualquer coisa que simbolize um estilo hierárquico, como por exemplo perguntar o cargo ou a extensão de autoridade, é um alerta sobre a capacidade de alguém para se encaixar em uma cultura onde o trabalho é cocriado.

Conecte-se com seu entrevistador. Pesquisas mostram que um início caloroso é uma maneira eficaz de influenciar outras pessoas. Pode ser algo tão simples como sorrir. Ao encontrar maneiras de se conectar pessoalmente com seu entrevistador, Lauren fez questão de usar referências com que uma pessoa mais jovem pudesse se identificar, como por exemplo, uma série conhecida da Netflix. O humor é outra maneira de se conectar e mostrar para a outra pessoa que você será alguém agradável no trabalho. No entanto, não use referências ultrapassadas ou humor autodepreciativo como “isso foi na pré-internet” ou “provavelmente isso aconteceu antes da sua época”. É desagradável e hostil.

Mostre sua capacidade em trabalhar bem com grupos heterogêneos. Anita ilustrou isso dando como exemplo projetos que liderou em diversas funções, regiões geográficas e níveis de liderança – inclusive com novos gerentes. Ao fazer isso, deixou claro sua capacidade em trabalhar bem com colegas mais jovens, sem especificamente dar destaque à idade. Da mesma forma, Lauren deixou claro sua intenção de aproveitar pessoas com diferentes experiências, e deu exemplos de como fez um bom trabalho com pessoas de carreira militar que estavam tendo sua primeira experiência na iniciativa privada. Este exemplo mostrou que ela poderia colaborar com pessoas mais jovens com um repertório de experiências diferente, sem chamar atenção para a idade.

Foque em detalhes. Encaixar-se no público mais jovem não significa que você tenha de usar um moletom ou se parecer com todo mundo. Você deve se sentir confortável e autêntico ao mesmo tempo que é consistente com a cultura. Caso necessário, peça ajuda para modernizar o guarda-roupa e acessórios. Muitas lojas de departamento oferecem esse tipo de serviço – sem custo. Anita levou sua filha de 26 anos para ajudá-la a fazer compras e comprou algumas roupas e bijuterias estilosas e versáteis o suficiente, que seriam adequadas em diversas empresas. Outra cliente comprou óculos novos e muito elegantes para a entrevista para que não precisasse usar seus óculos de leitura.

Reformule qualquer eventual comentário ou pergunta inapropriada. No caso da Sanjiv, ele poderia ter reformulado as palavras para expressar o desejo do membro do conselho em ter “mentes mais jovens”, dizendo: “Eu acredito que o que vocês estejam realmente procurando sejam ideias inovadoras. Eu adoraria compartilhar algumas das minhas ideais do que fazer para ajudar a organização a aumentar seu impacto e ser um exemplo para outras desta mesma área”. Quando perguntaram para Anita se não se incomodaria com festas e bebidas até tarde da noite, ela foi breve e disse “Eu adoro comemorar as conquistas com minha equipe”, e dirigiu a conversa para outro assunto. Se você não tem certeza de como responder a um comentário ou pergunta inadequada, demonstre curiosidade e pergunte alguma coisa como, “Você poderia me falar um pouco mais sobre isso?” ou “Você poderia explicar melhor o que gostaria de entender, para que eu possa focar mais precisamente na sua dúvida?”.

Embora o preconceito de idade exista, focar naquilo que você pode controlar e empregar as estratégias acima podem desviar a atenção sobre sua idade e redirecioná-la para por que você é a pessoa certa para o trabalho.


Rebecca Zucker é uma Executive Coach e sócia fundadora da Next Step Partners, um escritório boutique de desenvolvimento de liderança. Seus clientes incluem a Amazon, Clorox, Morrison Foerster, the James Irvine Foundation, Skoll Foundation e empresas que crescem muito rapidamente na área de tecnologia, como DocuSign e Dropbox.

Fonte HBR

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